Disse o jardineiro irritado: Quem arrancou esta rosa?
Respondeu o Dono do Jardim: Fui eu.
E o jardineiro se calou.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Tenho tanto sentimento - Fernando Pessoa
Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
O AMOR - Fernando Pessoa
O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
sábado, 19 de julho de 2014
Compreensão
Rui Barbosa”, ilustre intelectual brasileiro, ao chegar em casa, ouviu estranho barulho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de estimação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos. Batendo nas costas do invasor disse-lhe em tom altamente catedrático:
- Bucéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes e sim pelo ato vil e sorrateiro de galgares os profanos de minha residência. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha alta prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica no alto de tua sinagoga que te reduzirá a qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, pergunta-lhe:
- Senhor, eu levo ou deixo os patos?
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos. Batendo nas costas do invasor disse-lhe em tom altamente catedrático:
- Bucéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes e sim pelo ato vil e sorrateiro de galgares os profanos de minha residência. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha alta prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica no alto de tua sinagoga que te reduzirá a qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, pergunta-lhe:
- Senhor, eu levo ou deixo os patos?
Vergonha
De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”
Ruy Barbosa
Ruy Barbosa
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Saudade
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Angústia impotente
A vontade é impotente perante o que está para trás dela. Não poder destruir o tempo, nem a avidez transbordante do tempo, é a angústia mais solitária da vontade. (Friedrich Nietzsche)
Definições
DEFINIÇÕES
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a ideia cansa de procurar e para.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente mas, geralmente, não podia.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Paixão é quando apesar da palavra ¨perigo¨ o desejo chega e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.
Não... Amor é um exagero... também não.
Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação,
Esse negócio de amor, não sei explicar.
Adriana Falcão
Ao que nada espera, tudo que vem é grato
Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.
Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera
Tudo que vem é grato.
Fernando Pessoa
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.
Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera
Tudo que vem é grato.
Sofrer de Lonjura
O médico perguntou:
- O que sentes?
E eu respondi:
- Sinto lonjuras, doutor. Sofro de distâncias.
- O que sentes?
E eu respondi:
- Sinto lonjuras, doutor. Sofro de distâncias.
(Caio F. Abreu)
Saudade por Martha Medeiros
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.Torcer o tornozelo dói.Um tapa, um soco, um pontapé, doem.Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua,dói cólica, cárie e pedra no rim.Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.Saudade de uma cachoeira da infância.Saudade de um filho que estuda fora.Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.Saudade de uma cidade.Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.Saudade da pele, do cheiro, dos beijos...
Saudade é não saber mesmo!Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;não saber como frear as lágrimas diante de uma música;não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche...
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você,provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler.
Bater com o queixo no chão dói.Torcer o tornozelo dói.Um tapa, um soco, um pontapé, doem.Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua,dói cólica, cárie e pedra no rim.Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.Saudade de uma cachoeira da infância.Saudade de um filho que estuda fora.Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.Saudade de uma cidade.Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.Saudade da pele, do cheiro, dos beijos...
Saudade é não saber mesmo!Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;não saber como frear as lágrimas diante de uma música;não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche...
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você,provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler.
Martha Medeiros
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
A alegria que ele quer
Deus nos dá pessoas e coisas,
para aprendermos a alegria...
Depois, retoma coisas e pessoas
para ver se já somos capazes da alegria
sozinhos...
Essa... a alegria que ele quer
João Guimarães Rosa
para aprendermos a alegria...
Depois, retoma coisas e pessoas
para ver se já somos capazes da alegria
sozinhos...
Essa... a alegria que ele quer
João Guimarães Rosa
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
O Natal não é em 25 de dezembro
Jesus não nasceu em 25 de dezembro. Nasceu, mais provavelmente, em Abril ou Setembro. Mas nasceu, e isto não é pouca coisa.
Não sabemos se eram mesmo três reis magos, e dificilmente eram mesmo Reis de verdade - a Bíblia apenas os chama de "uns magos". Mas eles empreenderam uma longa viagem por terem enxergado com sua ciência que o mundo jamais seria o mesmo. E deram presentes (três presentes) para alguém que eles não tinham dúvida de que era um Rei de verdade.
Então... comemore você também o Natal, e faça uma prece de gratidão. O Eterno vai se agradar em ouvi-lo deixar a indiferença de lado.
Não sabemos se eram mesmo três reis magos, e dificilmente eram mesmo Reis de verdade - a Bíblia apenas os chama de "uns magos". Mas eles empreenderam uma longa viagem por terem enxergado com sua ciência que o mundo jamais seria o mesmo. E deram presentes (três presentes) para alguém que eles não tinham dúvida de que era um Rei de verdade.
Então... comemore você também o Natal, e faça uma prece de gratidão. O Eterno vai se agradar em ouvi-lo deixar a indiferença de lado.
Dançarina Surda
A dançarina é surda, e sua "adversária" diz "Ela tem orado há tempão para deixar de ser surda. Pelo jeito não teve resposta.". A dançarina surda escreve: Sim, eu tive a resposta à minha oração. A resposta foi "NÃO". Mas a surdez não a impediu de se tornar a bailarina principal. A lição é clara: mesmo nossos aparentes defeitos têm um propósito na conjuntura divina.
http://www.youtube.com/watch?v=ZxxTYdLqfCY
http://www.youtube.com/watch?v=ZxxTYdLqfCY
Dois Cachorros
"Dentro de mim há dois cachorros: um deles é cruel e mau; o outro é muito bom.
Os dois estão sempre brigando.
O que ganha a briga é aquele que eu alimento mais freqüentemente."
--Provérbio dos índios norte-americanos
Os dois estão sempre brigando.
O que ganha a briga é aquele que eu alimento mais freqüentemente."
--Provérbio dos índios norte-americanos
Saudade
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda
Este é o cadáver
Quem escreverá a história do que poderia ter sido o irreparável do meu passado;
Este é o cadáver.
Se a certa altura eu tivesse me voltado para a esquerda, ao invés que para direita;
Se em certo momento eu tivesse dito não, ao invés que sim;
Se em certas conversas eu tivesse dito as frases que só hoje elaboro; Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro seria insensivelmente levado a ser outro também."
Fernando Pessoa
Este é o cadáver.
Se a certa altura eu tivesse me voltado para a esquerda, ao invés que para direita;
Se em certo momento eu tivesse dito não, ao invés que sim;
Se em certas conversas eu tivesse dito as frases que só hoje elaboro; Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro seria insensivelmente levado a ser outro também."
Fernando Pessoa
Amor Livre
Livre é quando alguém escolhe pousar ao teu lado, podendo voar.
Podendo encontrar até outros ninhos, outros caminhos, escolhe ficar.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)
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