Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar:
Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu, às quintas.
Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em SP.
Eu levo minha mulher a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta.
Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento, "em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!" ela disse. Então, sugeri a cozinha.
Nós sempre andamos de mãos dadas... Se eu soltar, ela vai às compras!
Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico.
Então, ela disse: "nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar".
Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica.
Lembrem-se: o casamento é a causa número 1 para o divórcio. Estatisticamente, 100 % dos divórcios começam com o casamento.
Eu me casei com a "senhora certa". Só não sabia que o primeiro nome dela era "sempre".
Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
Mas, tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha.
Ela perguntou: "O que tem na TV?"
E eu disse: "Poeira".
Luis Fernando Verissimo
segunda-feira, 29 de junho de 2015
quinta-feira, 25 de junho de 2015
O alto preço de viver longe de casa
RUTH MANUS
24 Junho 2015 | 11:28
Muito além do valor do aluguel.
Voar: a eterna inveja e frustração que o homem carrega no peito a cada vez que vê um pássaro no céu. Aprendemos a fazer um milhão de coisas, mas voar… Voar a vida não deixou. Talvez por saber que nós, humanos, aprendemos a pertencer demais aos lugares e às pessoas. E que, neste caso, poder voar nos causaria crises difíceis de suportar, entre a tentação de ir e a necessidade de ficar.
Muito bem. Aí o homem foi lá e criou a roda. A Kombi. O patinete. A Harley. O Boeing 737. E a gente descobriu que, mesmo sem asas, poderia voar. Mas a grande complicação foi quando a gente percebeu que poderia ir sem data para voltar.
E assim começaram a surgir os corajosos que deixaram suas cidades de fome e miséria para tentar alimentar a família nas capitais, cheias de oportunidades e monstros. Os corajosos que deixaram o aconchego do lar para estudar e sonhar com o futuro incrível e hipotético que os espera. Os corajosos que deixaram cidades amadas para viver oportunidades que não aparecem duas vezes. Os corajosos que deixaram, enfim, a vida que tinham nas mãos, para voar para vidas que decidiram encarar de peito aberto.
A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia. É o peito eternamente divido. É chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. É se orgulhar da escolha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha que te subtraiu outras mil pedras preciosas.
E começamos a viver um roteiro clássico: deitar na cama, pensar no antigo-eterno lar, nos quilômetros de distância, pensar nas pessoas amadas, no que eles estão fazendo sem você, nos risos que você não riu, nos perrengues que você não estava lá para ajudar. É tentar, sem sucesso, conter um chorinho de canto e suspirar sabendo que é o único responsável pela própria escolha. No dia seguinte, ao acordar, já está tudo bem, a vida escolhida volta a fazer sentido. Mas você sabe que outras noites dessa virão.
Mas será que a gente aprende? A ficar doente sem colo, a sentir o cheiro da comida com os olhos, a transformar apartamentos vazios na nossa casa, transformar colegas em amigos, dores em resistência, saudades cortantes em faltas corriqueiras?
Será que a gente aprende? A ser filho de longe, a amar via Skype, a ver crianças crescerem por vídeos, a fingir que a mesa do bar pode ser substituída pelo grupo do whatsapp, a ser amigo através de caracteres e não de abraços, a rir alto com HAHAHAHA, a engolir o choro e tocar em frente?
Será que a vida será sempre esta sina, em qualquer dos lados em que a gente esteja? Será que estaremos aqui nos perguntando se deveríamos estar lá e vice versa? Será teste, será opção, será coragem ou será carma?
Será que um dia saberemos, afinal, se estamos no lugar certo? Será que há, enfim, algum lugar certo para viver essa vida que é um turbilhão de incertezas que a gente insiste em fingir que acredita controlar?
Eu sei que não é fácil. E que admiro quem encarou e encara tudo isso, todo dia.
Quem deixou Vitória da Conquista, São José do Rio Preto, Floripa, Juiz de Fora, Recife, Sorocaba, Cuiabá ou Paris para construir uma vida em São Paulo. Quem deixou São Paulo pra ir para o Rio, para Brasília, Dublin, Nova York, Aix-en-provence, Brisbane, Lisboa. Quem deixou a Bolívia, a Colômbia ou o Haiti para tentar viver no Brasil. Quem trocou Portugal pela Itália, a Itália pela França, a França pelos Emirados. Quem deixou o Senegal ou o Marrocos para tentar ser feliz na França. Quem deixou Angola, Moçambique ou Cabo Verde para viver em Portugal. Para quem tenta, para quem peita, para quem vai.
O preço é alto. A gente se questiona, a gente se culpa, a gente se angustia. Mas o destino, a vida e o peito às vezes pedem que a gente embarque. Alguns não vão. Mas nós, que fomos, viemos e iremos, não estamos livres do medo e de tantas fraquezas. Mas estamos para sempre livres do medo de nunca termos tentado. Keep walking.
terça-feira, 23 de junho de 2015
IDADE
Já aconteceu de você, ao olhar para uma pessoa da mesma idade, pensar: “eu não sou assim tão velho”?
Veja o que conta uma amiga:
Estava sentada na sala de espera para a consulta com um novo dentista, quando observei o seu diploma na parede.
Li o seu nome e recordei de um moreno alto que tinha esse mesmo nome. Era da minha classe do colegial, uns 30 anos atrás e eu me perguntei:
"Seria o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?"
Entrei na sala de atendimento e, imediatamente, afastei esse pensamento.
Esse homem grisalho, quase calvo, gordo, enrugado, era demasiadamente velho e desgastado pra ter sido o meu amor secreto.
Depois que ele examinou os meus dentes, perguntei se ele tinha estudado no Colégio Santa Cecília...
- Sim, respondeu-me.
- Quando se formou? perguntei.
- Em 1965 . Por que esta pergunta?
- É que...bem...você era da minha classe, exclamei.
E então aquele velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido, lazarento, esclerosado, filho da puta me perguntou:
- A senhora era professora de quê?
Veja o que conta uma amiga:
Estava sentada na sala de espera para a consulta com um novo dentista, quando observei o seu diploma na parede.
Li o seu nome e recordei de um moreno alto que tinha esse mesmo nome. Era da minha classe do colegial, uns 30 anos atrás e eu me perguntei:
"Seria o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?"
Entrei na sala de atendimento e, imediatamente, afastei esse pensamento.
Esse homem grisalho, quase calvo, gordo, enrugado, era demasiadamente velho e desgastado pra ter sido o meu amor secreto.
Depois que ele examinou os meus dentes, perguntei se ele tinha estudado no Colégio Santa Cecília...
- Sim, respondeu-me.
- Quando se formou? perguntei.
- Em 1965 . Por que esta pergunta?
- É que...bem...você era da minha classe, exclamei.
E então aquele velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido, lazarento, esclerosado, filho da puta me perguntou:
- A senhora era professora de quê?
sábado, 20 de junho de 2015
LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO
"Eu tomo um remédio para controlar a pressão.
Cada dia que vou comprar o dito cujo, o preço aumenta.
Controlar a pressão é mole. Quero ver é controlar o 'preção.'
Tô sofrendo de 'preção' alto.
O médico mandou cortar o sal. Comecei cortando o médico, já que a consulta era salgada demais.
Para piorar, acho que tô ficando meio esquizofrênico.
Sério!
Não sei mais o que é real.
Principalmente, quando abro a carteira ou pego extrato no banco.
Não tem mais um Real.
Sem falar na minha esclerose precoce. Comecei a esquecer as coisas:
Sabe aquele carro? Esquece!
Aquela viagem? Esquece!
Tudo o que a presidente prometeu? Esquece!
Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu time:
- nas últimas.
Bem, e o que dizer do carioca? Já nem liga mais pra bala perdida...
Entra por um ouvido e sai pelo outro.
Faz diferença...
'A diferença entre o Brasil e a República Checa é que a República Checa tem o governo em Praga e o Brasil tem essa praga no governo'
'Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio'. "
Cada dia que vou comprar o dito cujo, o preço aumenta.
Controlar a pressão é mole. Quero ver é controlar o 'preção.'
Tô sofrendo de 'preção' alto.
O médico mandou cortar o sal. Comecei cortando o médico, já que a consulta era salgada demais.
Para piorar, acho que tô ficando meio esquizofrênico.
Sério!
Não sei mais o que é real.
Principalmente, quando abro a carteira ou pego extrato no banco.
Não tem mais um Real.
Sem falar na minha esclerose precoce. Comecei a esquecer as coisas:
Sabe aquele carro? Esquece!
Aquela viagem? Esquece!
Tudo o que a presidente prometeu? Esquece!
Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu time:
- nas últimas.
Bem, e o que dizer do carioca? Já nem liga mais pra bala perdida...
Entra por um ouvido e sai pelo outro.
Faz diferença...
'A diferença entre o Brasil e a República Checa é que a República Checa tem o governo em Praga e o Brasil tem essa praga no governo'
'Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio'. "
terça-feira, 16 de junho de 2015
IN MEMORIAM - De Ed Rene Kivitz para a familia de Eduardo Campos em 23/08/2014
IN MEMORIAM
Chorei a morte de Eduardo Campos como se tivesse perdido alguém da família. Acho que chorei muitas mortes, ou a morte de muitas coisas, naquelas lágrimas. Meu coração foi comovido pela dor que chegava ao coração de Renata e seus filhos. Chorei por aqueles meninos. Sei o que é chorar a morte de um pai. Sei que eles precisarão de lágrimas emprestadas para que superem tamanha dor. Emprestei para eles um pouco das minhas.
Naquele dia lembrei de um livro infantil, que os estúdios Disney transformaram em filme com estréia prevista para outubro: Alexandre e o dia terrível, horrível, nada bom, muito ruim. Já vivi muitos dias assim. Não é possível encontrar respostas exatas e objetivas para as perguntas que a tragédia nos lança em rosto. Mas ao longo de quase 30 anos de sacerdócio pastoral aprendi algumas coisas que acredito me foram sussurradas por Deus nas minhas noites de pranto e escuridão.
Não devemos esperar que Deus nos poupe do dia terrível, horrível, nada bom, muito ruim, mas jamais devemos duvidar de sua companhia quando esse dia chega. Assim confiaram todos os homens e mulheres que andaram com Deus. Não se imaginaram blindados contra as investidas do mal. Mas jamais conheceram a solidão: “mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo”; “os olhos do Senhor estão atentos sobre toda a terra para fortalecer aqueles que lhe dedicam totalmente o coração”; “não tema, pois eu o resgatei; eu o chamei pelo nome; você é meu. Quando você atravessar as águas, eu estarei com você; e, quando você atravessar os rios, eles não o encobrirão. Quando você andar através do fogo, você não se queimará; as chamas não o deixarão em brasas. Pois eu sou o Senhor, o seu Deus, o Santo de Israel, o seu Salvador”.
As manifestações do mal não podem destruir aqueles que têm fé e andam com Deus. As manifestações do mal podem no máximo nos obrigar a reconfigurar a vida, mas jamais nos destruir. Quando o mal bate à nossa porta e a tragédia nos alcança, somos arremessados de maneira cruel em direções jamais imaginadas.
De repente nos percebemos em lugares, situações e circunstâncias que nunca sequer chegamos a imaginar. Nossa vida ganha contornos que jamais escolheríamos caso tivéssemos essa prerrogativa. Então precisamos parar para refazer os planos, realinhar as expectativas, descobrir novas fontes de contentamento e satisfação, encontrar outras pessoas para amar, descobrir novas maneiras de servir ao próximo e correr atrás dos sonhos, se é que permanecem os mesmos. A tragédia nos obriga a reconfigurar a vida, mas não tem o poder de nos destruir.
O rabino Harold Kushner disse que temos nas mãos o poder de transformar as pessoas amadas que perdemos em mártires de Deus ou mártires do diabo. Quando a perda da pessoa amada nos faz desistir dos sonhos, abandonar a luta e trilhar um caminho de autodestruição, então fizemos da pessoa amada um mártir do diabo. Mas quando decidimos honrar a memória da pessoa amada, e nos dedicamos a escrever uma história e construir uma biografia bonita e digna, e escolhemos a vida em lugar da morte, então fazemos daquele que se foi um mártir de Deus.
Aprendi também que as investidas do mal não interrompem a marcha do bem. Os dias maus são ocasiões quando lutamos contra a tentação de desistir. Mas a presença de Deus faz com que os sonhos semeados em nosso coração não se desvaneçam. E somos surpreendidos com a chegada de novos sonhos. Deus também é sonhático. Os períodos de escuridão e silêncio não são sinais de que o sonho acabou, mas tempo para adensamento e sintonia fina dos sonhos que Deus nos deu e dos novos que nos quer dar.
Anne Lamott, romancista e ativista social, disse que as nossas lágrimas são sagradas: elas regam o chão ao redor dos nossos pés onde novas flores podem crescer. O mal pode nos fazer chorar, mas não pode nos fazer abandonar a caravana do bem. Quem anda com Deus resiste ao mal, não se deixa vencer pelo mal, e vence o mal com o bem. Na verdade, não é o mal que avança, mas o bem. Quem está em marcha não é o mal. O mal está estabelecido. Quem avança é a caravana do bem. E sempre que o mal tentar deter a marcha será derrotado. Quem marcha com Deus não pode ser detido. As marchas abençoadas por Deus
não podem ser interrompidas pelas hostes da maldade. As portas do inferno não têm trincos suficientemente fortes para impedir o chegada daqueles que avançam com fé e coragem.
Fico a imaginar o mundo e o inferno no sábado seguinte à morte de Jesus. O mundo em trevas e o inferno em festa. Os espíritos maus zombando dos anjos. Mas no céu, perfeita ordem, reverente ao fato de que o filho do Deus vivo havia sido crucificado. Era necessária uma pausa para que o céu e todo o restante da criação derramassem suas lágrimas. Mas o dia seguinte seria o domingo da ressurreição. Depois da noite de choro chegaria a alegria. E os homens e mulheres do bem retomariam sua marcha até o triunfo final.
Deus é capaz de virar o jogo. Essas foram as palavras de José, o príncipe do Egito, aos seus irmãos que o haviam rejeitado, traído e vendido como escravo: “o mal que vocês fizeram contra mim, Deus o transformou em bem”.
Jesus orou por nós pedindo a Deus, o Pai, que não nos tirasse do mundo, mas nos livrasse do Maligno. E nos ensinou a orar pedindo a mesma coisa: “não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do Maligno”. O Maligno e seu mal estão presentes no mundo. De quando em vez ele nos fere e sua maldade nos alcança. Mas o mal nunca, jamais, tem a última palavra: Deus transforma o mal em bem.
A história está cheia de homens e mulheres que se agigantaram justamente porque foram provocados pela manifestação do mal e pelo Maligno. A Bíblia conta a história de Jó, um sadiq (justo), que praticava a sedaqah (justiça) diante de Deus e dos homens. Mas o Maligno lhe causou muitos males e lhe trouxe muito sofrimento. Ao final de seus dias, Jó se ajoelha e pronuncia para Deus as seguintes palavras: “antes eu te conhecia de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem”.
O mal que assolou Jó não o destruiu, apenas o obrigou a reconfigurar a vida. Não o fez desistir de ser justo e praticar a justiça, apenas o obrigou a fazer uma pausa para chorar. E, ao final, o mal virou poeira na história, pois Deus sempre faz triunfar o bem.
A última palavra a ser pronunciada no universo e na história não será morte, mas vida, vida eterna e abundante, pois o nosso Senhor Jesus Cristo, que andou por toda parte fazendo o bem, venceu, e naquela manhã do domingo da ressurreição decretou de uma vez para toda a eternidade que não apenas a morte, mas também todos os agentes promotores e mantenedores da morte voltariam ao nada, vencidos pela manifestação da vida.
__________________________
Dedico
à memória de Eduardo Campos
à sua esposa Renata, e aos seus filhos Miguel, João, José, Pedro e Duda
à amada irmã Marina Silva
às famílias enlutadas pelo trágico acidente
a todos os que marcham na caravana do bem.
Dedico
à memória de Eduardo Campos
à sua esposa Renata, e aos seus filhos Miguel, João, José, Pedro e Duda
à amada irmã Marina Silva
às famílias enlutadas pelo trágico acidente
a todos os que marcham na caravana do bem.
Ainda Mario Quintana
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
Os Dez Melhores Poemas de Mario Quintana
Pedimos aos leitores, colaboradores, seguidores do Twitter e Facebook
que apontassem os poemas mais significativos de Mario Quintana. Poeta, tradutor
e jornalista, Mario Quintana estreou na literatura em 1940 com o livro “A Rua
dos Cataventos”. O poeta também deixou um amplo trabalho de tradução, com
destaque para as obras “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust, e “Mrs.
Dalloway”, de Virginia Woolf. Em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis, pelo
conjunto da obra. Mario Quintana concorreu por três vezes a uma vaga na
Academia Brasileira de Letras, mas em nenhuma das ocasiões foi eleito. Ao ser
convidado a candidatar-se uma quarta vez, e mesmo com a promessa de unanimidade
em torno de seu nome, o poeta recusou.
Apesar da idolatria no Rio Grande do Sul e de dividir o posto, ao lado
de Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu, de autores brasileiros mais citados
na internet, Mario Quintana ainda não é considerado um poeta
além-fronteiras. De acordo com o crítico Antonio Carlos Secchin, “parece
que apenas poetas cariocas e paulistas não precisam de gentílico. Difícil ler
‘o poeta carioca Vinícius de Morais’ ou ‘o paulista Oswald de Andrade’. Mas
lemos a toda hora ‘o pernambucano João Cabral’. Infelizmente, apenas os do Rio
e de São Paulo estão dispensados de exibir a carteira de identidade”.
A melhor definição para Mario Quintana, foi feita por ele mesmo, em
1984: “Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal
coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre
achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida
está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que
não fosse uma confissão. Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e
ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava
que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como
Winston Churchill nascera prematuro — o mesmo tendo acontecido a sir Isaac
Newton! Excusez du peu… Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que
sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo
à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um
poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão,
introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por
não poderem ser chatos como os outros? Exatamente por execrar a chatice, a
longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da
forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu
cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que
é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico
Verissimo — que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as
palavras”.
Os dez poemas selecionados foram publicados no livro “Mario Quintana —
Poesia completa”, editora Nova Aguilar. Mario Quintana morreu em 5 de maio de
1994.
A Rua dos Cataventos
Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
Do amoroso esquecimento
Eu agora — que desfecho!
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?
Segunda canção de muito longe
Havia um corredor que fazia cotovelo:
Um mistério encanando com outro mistério, no escuro…
Mas vamos fechar os olhos
E pensar numa outra cousa…
Um mistério encanando com outro mistério, no escuro…
Mas vamos fechar os olhos
E pensar numa outra cousa…
Vamos ouvir o ruído cantado, o ruído arrastado das correntes no algibe,
Puxando a água fresca e profunda.
Havia no arco do algibe trepadeiras trêmulas.
Nós nos debruçávamos à borda, gritando os nomes uns dos outros,
E lá dentro as palavras ressoavam fortes, cavernosas como vozes de leões.
Puxando a água fresca e profunda.
Havia no arco do algibe trepadeiras trêmulas.
Nós nos debruçávamos à borda, gritando os nomes uns dos outros,
E lá dentro as palavras ressoavam fortes, cavernosas como vozes de leões.
Nós éramos quatro, uma prima, dois negrinhos e eu.
Havia os azulejos, o muro do quintal, que limitava o mundo,
Uma paineira enorme e, sempre e cada vez mais, os grilos e as estrelas…
Havia todos os ruídos, todas as vozes daqueles tempos…
As lindas e absurdas cantigas, tia Tula ralhando os cachorros,
O chiar das chaleiras…
Havia os azulejos, o muro do quintal, que limitava o mundo,
Uma paineira enorme e, sempre e cada vez mais, os grilos e as estrelas…
Havia todos os ruídos, todas as vozes daqueles tempos…
As lindas e absurdas cantigas, tia Tula ralhando os cachorros,
O chiar das chaleiras…
Onde andará agora o pince-nez da tia Tula
Que ela não achava nunca?
A pobre não chegou a terminar o Toutinegra do Moinho,
Que saía em folhetim no Correio do Povo!…
A última vez que a vi, ela ia dobrando aquele corredor escuro.
Ia encolhida, pequenininha, humilde. Seus passos não faziam ruído.
E ela nem se voltou para trás!
Que ela não achava nunca?
A pobre não chegou a terminar o Toutinegra do Moinho,
Que saía em folhetim no Correio do Povo!…
A última vez que a vi, ela ia dobrando aquele corredor escuro.
Ia encolhida, pequenininha, humilde. Seus passos não faziam ruído.
E ela nem se voltou para trás!
Emergência
Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo —
para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo —
para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
Poeminho do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!
Relógio
O mais feroz dos animais domésticos
é o relógio de parede:
conheço um que já devorou
três gerações da minha família.
é o relógio de parede:
conheço um que já devorou
três gerações da minha família.
Os Poemas
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…
Esperança
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E — ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E — ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…
Envelhecer
Antes, todos os caminhos iam.
Agora todos os caminhos vêm
A casa é acolhedora, os livros poucos.
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.
Agora todos os caminhos vêm
A casa é acolhedora, os livros poucos.
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.
Tic-tac
Esse tic-tac dos relógios
é a máquina de costura do Tempo
a fabricar mortalhas.
é a máquina de costura do Tempo
a fabricar mortalhas.
Fotografia: Liane Neves
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Lucelio postou
A estrada para a vitória nao é uma reta; existe uma curva chamada fracasso, um trecho chamado confusão, um quebra-molas chamado dificuldade e uns pneus furados chamados inveja. Mas se você tiver um estepe chamado determinação, um motor chamado perseverança, um seguro chamado fé e um motorista chamado Jesus, com certeza você chegará a um lugar chamado paz interior e, de lá, poderá embarcar para os locais que desejar.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Declaração da Prof. Nivea Guarnieri
a disse: "Quero muito revê-lo como homem... Um aluno que marcou minha vida de professora!!!"... Ta bem na fita, hein Sergião?
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Trecho de artigo de Ivan Martins
Logo, se eu tivesse de dar uma única dica sobre o futuro, seria simples: ache alguém em quem você goste de passar protetor solar, e que queira sempre passar protetor em você. Uma vez encontrado, cuide. No longo prazo, esse é o maior cuidado que você pode ter com a sua pele, e ainda mais com você mesmo. Nunca vai faltar protetor solar nas farmácias, é certo. Mas alguém que o passe em demoradamente em você, com desvelo e com prazer, isso não se acha em qualquer praia, nem se encontra na orla de qualquer oceano.
sábado, 6 de junho de 2015
Poesia: Lanne Gracez
Haveria
ressurreição se não houvesse a morte?
Haveria
alegria se não houvesse a tristeza?
Haveria
a certeza se não houvesse a dúvida?
E
quanto à ordem, será essa?
Quem
nasceu primeiro, a dor ou a alegria?
Poesia de São Francisco de Assis
O
que temer? Nada.
A
quem temer? Ninguém.
Por
quê? Porque aqueles que se unem a Deus obtêm três grandes privilégios:
onipotência sem poder; embriaguez, sem vinho e vida sem morte.
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