"Este ano de 2016 está demorando para acabar", dizem. Uma bobagem... um ano não é nada senão uma convenção social. Ao longo da história um ano já teve menos dias e ainda assim era chamado de "ano". De fato o que queremos não é que o ano acabe. O que queremos é redenção. Queremos ser redimidos dos erros e falhas que fizemos. Queremos uma nova chance. Queremos ressuscitar a esperança, porque "a esperança que se adia faz adoecer o coração"( Pv 13:12a)
A história do homem é sempre essa: desejar redenção; ressuscitar a esperança. Isto porque fazemos besteiras, equívocos, maldades. E estamos conscientes de tudo isso. E porque estamos conscientes desejamos - desejamos não, imploramos, clamamos por uma nova chance. Queremos uma nova chance de acertar, queremos achar novos caminhos. Jeremias, o profeta dos lamentos, registrou "quero trazer à memória o que pode me dar esperança". Seu registro é ao mesmo tempo uma constatação e um alvo. Ele quer ter esperança, mas ainda não tem. Ele sabe que a esperança é real, mas ainda não lhe pertence. Estou assim. Como o profeta, estou me esforçando para apagar o que vi de ruim até agora: a asfixia do Planeta - ignorância ecológica; a desvalorização da vida - da nossa e da do próximo; a injustiça do juízo fácil do alheio contra mim; o culto a Mamom, o Deus Dinheiro. E a guerra - ou guerras, sempre elas, sempre presentes, sempre mortais, sempre culpa dos outros.
Pois bem: contra tudo e contra todos, EU QUERO trazer à memória o que me dá esperança. Quero, não: Vou. Vou, não: Trouxe! Vou fazer como fez outro profeta, Habacuque: "Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos,
ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação (Hb 3:17,18)". Por que minha esperança tem nome. A minha esperança é redenção e é vida. É caminho novo, direção certa. É abrigo e é passagem. É vocação e é descanso. É Jesus, Caminho, Verdade e Vida.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
ORAÇÃO DE ANO NOVO
ORAÇÃO DE ANO NOVO
Senhor Deus, dono do tempo e da eternidade,
teu é o hoje e o amanhã, o passado e o futuro.
Ao iniciar mais um ano, paro minha vida diante
de teu calendário, que ainda não comecei,
e te apresento estes dias,
que somente tu sabes se chegarei a vivê-los.
Hoje, te peço para mim e para todos
os meus parentes e amigos, a paz e a alegria,
a fortaleza e a prudência, a lucidez e a sabedoria.
Quero viver cada dia com otimismo e bondade,
levando por toda parte
um coração cheio de compreensão e paz.
Que meu espírito seja repleto somente de bênçãos,
para que as derrame por onde eu passar.
Enche-me de bondade e alegria, para que
todas as pessoas que eu encontrar no meu caminho
possam descobrir em mim um pouquinho de ti.
Dá-me um ano feliz e ensina-me a repartir felicidade.
Amém!
Senhor Deus, dono do tempo e da eternidade,
teu é o hoje e o amanhã, o passado e o futuro.
Ao iniciar mais um ano, paro minha vida diante
de teu calendário, que ainda não comecei,
e te apresento estes dias,
que somente tu sabes se chegarei a vivê-los.
Hoje, te peço para mim e para todos
os meus parentes e amigos, a paz e a alegria,
a fortaleza e a prudência, a lucidez e a sabedoria.
Quero viver cada dia com otimismo e bondade,
levando por toda parte
um coração cheio de compreensão e paz.
Que meu espírito seja repleto somente de bênçãos,
para que as derrame por onde eu passar.
Enche-me de bondade e alegria, para que
todas as pessoas que eu encontrar no meu caminho
possam descobrir em mim um pouquinho de ti.
Dá-me um ano feliz e ensina-me a repartir felicidade.
Amém!
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Natal - Ausências e Presenças
Natal ... ausências e presenças !
+ Paz na Saudade ... e Esperança na Eternidade !
O Natal é o "Tempo da Saudade" ... a saudade dos que estão longe mas especialmente a saudade dos que já partiram, daqueles nossos entes queridos que celebraram a sua Páscoa (passagem por esta Terra rumo ao Céu) e que hoje nos aguardam na Eternidade.
Sim, tenho saudade de todos eles ... e de Deus !
São ausências e presenças, contradições e sentidos, desejos e afetos ...
Não importa quanto tempo tenhamos convivido com os nossos queridos ... a saudade é a mesma, tensa e intensa, sem tempo e sem espaço, sem corpo e sem pedaço, inteira e infinita.
Pode parecer contraditório, mas não o é, na realidade, nós nascemos para a morte ... e morremos para a Vida. E sem o Natal de Jesus não haveria a Páscoa da Sua, minha e nossa Ressurreição !
Por isso, o Natal também é o "Templo da Eternidade", aonde Deus, o "Alfa e o Ômega", o "princípio e o fim" se faz carne para que o Homem "seja feito Deus". Ele é a Presença na ausência !
Mas para tanto, é necessário celebrar os Natais e aceitar as Páscoas e deixar partir os nossos queridos ... e a saudade se acalmará, ao seu devido tempo !
Pensando nisso, encontro nesta bela música do Pe. Fabio de Mello, "Perdas Necessárias", todo um sentido natalino-pascal para as nossas vidas e também para as vidas daqueles que já partiram :
"Deixa partir
O que não te pertence mais
Deixa seguir o que não poderá voltar
Deixa morrer o que a vida já despediu
Abra a porta do quarto e a janela
Que o possível da vida te espera
Vem depressa que a vida precisa continuar
O que foi já não serve é passado
E o futuro ainda está do outro lado
E o presente é o presente que o tempo quer te entregar
Fala pra mim
Se achares que posso ouvir
Chora ao teu Deus se não podes compreender
Rasga este véu do calvário que te envolveu
Tão sublime segredo se esconde
Nesta dor que escurece o horizonte
Que por hora impedem os teus olhos de contemplarem
O eterno presente do tempo
O ausente, o presente em segredo
Na sagrada saudade que deixa continuar
Deixa morrer o que a morte já sepultou
Deixa viver o que dela ressuscitou
Não queiras ter o que ainda não pode ser
É possível crescer nesta hora
Mesmo quando o que amamos foi embora
A saudade eterniza a presença de quem se foi
Com o tempo esta dor se aquieta
Se transforma em silencio que espera
Pelos braços da vida um dia reencontrar."
E a todos os que sentem o mesmo,
abrumados pela angústia e pela solidão
eu lhes recordo, do latim "recordare",
"guardar no coração" :
A saudade é enorme,
mas a Fé é maior
e pelo Natal de Jesus ...
a Sua Ressurreição existe !
E a saudade ...
é o Amor que fica,
que dá sentido à vida
preenchendo uma ausência !
Que assim seja !
D. Geraldo González y Lima, OSB
Roma - Dezembro de 2016
+ Paz na Saudade ... e Esperança na Eternidade !
O Natal é o "Tempo da Saudade" ... a saudade dos que estão longe mas especialmente a saudade dos que já partiram, daqueles nossos entes queridos que celebraram a sua Páscoa (passagem por esta Terra rumo ao Céu) e que hoje nos aguardam na Eternidade.
Sim, tenho saudade de todos eles ... e de Deus !
São ausências e presenças, contradições e sentidos, desejos e afetos ...
Não importa quanto tempo tenhamos convivido com os nossos queridos ... a saudade é a mesma, tensa e intensa, sem tempo e sem espaço, sem corpo e sem pedaço, inteira e infinita.
Pode parecer contraditório, mas não o é, na realidade, nós nascemos para a morte ... e morremos para a Vida. E sem o Natal de Jesus não haveria a Páscoa da Sua, minha e nossa Ressurreição !
Por isso, o Natal também é o "Templo da Eternidade", aonde Deus, o "Alfa e o Ômega", o "princípio e o fim" se faz carne para que o Homem "seja feito Deus". Ele é a Presença na ausência !
Mas para tanto, é necessário celebrar os Natais e aceitar as Páscoas e deixar partir os nossos queridos ... e a saudade se acalmará, ao seu devido tempo !
Pensando nisso, encontro nesta bela música do Pe. Fabio de Mello, "Perdas Necessárias", todo um sentido natalino-pascal para as nossas vidas e também para as vidas daqueles que já partiram :
"Deixa partir
O que não te pertence mais
Deixa seguir o que não poderá voltar
Deixa morrer o que a vida já despediu
Abra a porta do quarto e a janela
Que o possível da vida te espera
Vem depressa que a vida precisa continuar
O que foi já não serve é passado
E o futuro ainda está do outro lado
E o presente é o presente que o tempo quer te entregar
Fala pra mim
Se achares que posso ouvir
Chora ao teu Deus se não podes compreender
Rasga este véu do calvário que te envolveu
Tão sublime segredo se esconde
Nesta dor que escurece o horizonte
Que por hora impedem os teus olhos de contemplarem
O eterno presente do tempo
O ausente, o presente em segredo
Na sagrada saudade que deixa continuar
Deixa morrer o que a morte já sepultou
Deixa viver o que dela ressuscitou
Não queiras ter o que ainda não pode ser
É possível crescer nesta hora
Mesmo quando o que amamos foi embora
A saudade eterniza a presença de quem se foi
Com o tempo esta dor se aquieta
Se transforma em silencio que espera
Pelos braços da vida um dia reencontrar."
E a todos os que sentem o mesmo,
abrumados pela angústia e pela solidão
eu lhes recordo, do latim "recordare",
"guardar no coração" :
A saudade é enorme,
mas a Fé é maior
e pelo Natal de Jesus ...
a Sua Ressurreição existe !
E a saudade ...
é o Amor que fica,
que dá sentido à vida
preenchendo uma ausência !
Que assim seja !
D. Geraldo González y Lima, OSB
Roma - Dezembro de 2016
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Dormir aqui e acordar na casa do Pai
Dr. Rogério Brandão, oncologista, cuidou de uma pequena menina de 11 anos "calejada por dois longos anos de tratamentos diversos... que não fraquejava, chorava muitas vezes; e que tinha medo em seus olhinhos; porém, isso é humano!". O médico uma vez perguntou a ela se tinha medo de morrer, ao que respondeu: "Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai, e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é? Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa dEle, na minha vida verdadeira!"
Sou o Milho - Cora Coralina
Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres.
Meu grão, perdido por acaso, nasce e cresce na terra descuidada. Ponho folhas e haste e se me ajudares Senhor, mesmo planta de acaso, solitária, dou espigas e devolvo em muitos grãos, o grão perdido inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou.
Sou a planta primária da lavoura.
Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo. E de mim, não se faz o pão alvo, universal.
O Justo não me consagrou Pão da Vida, nem lugar me foi dado nos altares.
Sou apenas o alimento forte e substancial dos que trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.
Sou de origem obscura e de ascendência pobre. Alimento de rústicos e animais do jugo.
Fui o angú pesado e constante do escravo na exaustão do eito.
Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante. Sou a farinha econômica do proletário.
Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam a vida em terra estranha.
Sou apenas a fartura generosa e despreocupada dos paiois.
Sou o cocho abastecido donde rumina o gado
Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece.
Sou o carcarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos.
Sou a pobreza vegetal, agradecida a Vós, Senhor, que me fizeste necessária e humilde
Sou o milho.
Meu grão, perdido por acaso, nasce e cresce na terra descuidada. Ponho folhas e haste e se me ajudares Senhor, mesmo planta de acaso, solitária, dou espigas e devolvo em muitos grãos, o grão perdido inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou.
Sou a planta primária da lavoura.
Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo. E de mim, não se faz o pão alvo, universal.
O Justo não me consagrou Pão da Vida, nem lugar me foi dado nos altares.
Sou apenas o alimento forte e substancial dos que trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.
Sou de origem obscura e de ascendência pobre. Alimento de rústicos e animais do jugo.
Fui o angú pesado e constante do escravo na exaustão do eito.
Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante. Sou a farinha econômica do proletário.
Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam a vida em terra estranha.
Sou apenas a fartura generosa e despreocupada dos paiois.
Sou o cocho abastecido donde rumina o gado
Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece.
Sou o carcarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos.
Sou a pobreza vegetal, agradecida a Vós, Senhor, que me fizeste necessária e humilde
Sou o milho.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
O jeito certo de chamar a Polícia
Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa.
Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro.
Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado.
Mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali,espiando tranqüilamente.
Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço. Perguntaram- me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa.
Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.
Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma: - Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal.
Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações.
O tiro fez um estrago danado no cara!
Passados menos de três minutos, estavam na rua 5 carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.
Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado.
Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.
No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse: - Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.
Eu respondi: - Pensei que tivesse dito que não havia nenhuma viatura disponível. (Talvez seja de Luiz Fernando Veríssimo)
Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro.
Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado.
Mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali,espiando tranqüilamente.
Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço. Perguntaram- me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa.
Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.
Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma: - Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal.
Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações.
O tiro fez um estrago danado no cara!
Passados menos de três minutos, estavam na rua 5 carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.
Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado.
Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.
No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse: - Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.
Eu respondi: - Pensei que tivesse dito que não havia nenhuma viatura disponível. (Talvez seja de Luiz Fernando Veríssimo)
terça-feira, 18 de outubro de 2016
Carla Bruni e suas dicas de beleza
(Na verdade Carla Bruni não disse tudo isso, apenas parte disso; mas alguém ampliou e ficou assim)
A cantora e ex-primeira dama da França, Carla Bruni, falou em entrevista para a revista Veja algo muito verdadeiro.
"Depois dos 35 anos, a beleza é resultado da simpatia, da elegância, do pensamento, não mais do corpo e dos traços físicos.
A beleza se torna um estado de espírito, um brilho nos olhos, o temperamento.
A sensualidade vai decorrer mais da sensibilidade do que da aparência.
Uma mulher chata pode ser bonita antes dos 35 anos.
Uma mulher burra pode ser bonita antes dos 35 anos.
Uma mulher egoísta pode ser bonita antes dos 35 anos.
Uma mulher deprimida pode ser bonita antes dos 35 anos.
Uma mulher desagradável pode ser bonita antes dos 35 anos.
Uma mulher oportunista pode ser bonita antes dos 35 anos.
Uma mulher covarde pode ser bonita antes dos 35.
Depois, não mais, depois acabou a facilidade. Depois o que ilumina a pele é se ela é amada ou não, se ela ama ou não, se ela é educada ou não, se ela sabe falar ou não.
Depois dos 35 anos, a beleza vem do caráter. Do jeito como os problemas são enfrentados, da alegria de acordar e da leveza ao dormir.
Depois dos 35 anos, a amizade é o creme que tira as rugas, o afeto é o protetor solar que protege o rosto.
A beleza passa a ser linguagem, bom humor. A beleza passa a ser inteligência, gentileza.
Depois dos 35 ,45 ,55 , 65 ... anos, só a felicidade rejuvenesce.
A cantora e ex-primeira dama da França, Carla Bruni, falou em entrevista para a revista Veja algo muito verdadeiro.
"Depois dos 35 anos, a beleza é resultado da simpatia, da elegância, do pensamento, não mais do corpo e dos traços físicos.
A beleza se torna um estado de espírito, um brilho nos olhos, o temperamento.
A sensualidade vai decorrer mais da sensibilidade do que da aparência.
Uma mulher chata pode ser bonita antes dos 35 anos.
Uma mulher burra pode ser bonita antes dos 35 anos.
Uma mulher egoísta pode ser bonita antes dos 35 anos.
Uma mulher deprimida pode ser bonita antes dos 35 anos.
Uma mulher desagradável pode ser bonita antes dos 35 anos.
Uma mulher oportunista pode ser bonita antes dos 35 anos.
Uma mulher covarde pode ser bonita antes dos 35.
Depois, não mais, depois acabou a facilidade. Depois o que ilumina a pele é se ela é amada ou não, se ela ama ou não, se ela é educada ou não, se ela sabe falar ou não.
Depois dos 35 anos, a beleza vem do caráter. Do jeito como os problemas são enfrentados, da alegria de acordar e da leveza ao dormir.
Depois dos 35 anos, a amizade é o creme que tira as rugas, o afeto é o protetor solar que protege o rosto.
A beleza passa a ser linguagem, bom humor. A beleza passa a ser inteligência, gentileza.
Depois dos 35 ,45 ,55 , 65 ... anos, só a felicidade rejuvenesce.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Eu o criei e o carregarei
Desde que você nasceu, eu o tenho carregado; sempre cuidei de você. E, quando ficar velho, eu serei o mesmo Deus; cuidarei de você quando tiver cabelos brancos. Eu o criei e o carregarei; eu o ajudarei e salvarei (Is 46.4).
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Gi 21 anos
Gi, parabéns. Ia escrever um texto enorme, falando do quanto me orgulho de ser seu pai, de quanto a admiro pela sua essência, de como o estoque de amor que tenho para com você ainda precisa de armazéns infinitos para serem guardados. Mas a inspiração não veio. Acho que eu só queria mesmo dar um abraço longo e apertado, fazer muita massaginha e ouvir uma música nova com você. Vou ter que esperar um pouco... até lá, só posso dar um parabéns contido, cheio de lembranças da sua infância, cheio do seu cheiro de menina moça perfumada com os olhos grandes cobertos pelos cílios maiores ainda sob os cachos dos cabelos cor de brigadeiro. Na falta de inspiração, receba só o meu parabéns a você, nesta data querida, muitos anos de vida. Ah!, e que Jesus seja seu maior amigo, Deus seu Pai Infinito, e o Céu a mais plena verdade na sua vida. Beijos!
Apocalipse 14:13
Apocalipse 14
(13) Então ouvi uma voz do céu, que dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os acompanham.
Bíblia versão "Almeida Atualizada"
(13) Então ouvi uma voz do céu, que dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os acompanham.
Bíblia versão "Almeida Atualizada"
terça-feira, 27 de setembro de 2016
Angústia
Angústia. Sensação de meio engolir, meio vomitar. Como se uma bigorna tivesse sido depositada sobre a sua respiração; coração bate frouxo, só pela metade. Animal sendo caçado, acuado, sem saída. Prestes a perder a vida. Vida que se vai... ou melhor, se esvai.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Frase de John Piper
"Morte e doença têm um jeito espantoso de soprar o nevoeiro da trivialidade para fora da vida, substituindo-o pela sabedoria da seriedade e do contentamento, na esperança da alegria da ressurreição" John Piper
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Paulo Solonca
Soube há pouco que o Pastor Paulo Solonca perdeu a luta contra o câncer e faleceu. Perdeu? Ora, que bobagem, ele não perdeu nada, desde o seu diagnóstico ele viveu ainda o suficiente para produzir muito e impactar muitos. Para mim, do câncer ele ganhou, e creio que ele ganhou também a oportunidade de saber-se muito querido, muito amado - porque ele era tão humilde que talvez duvidasse de que poderia ser tão amado por tantos. Sem deixar o lugar-comum, quem perdeu fomos nós, ele ganhou o Céu e agora deve estar chorando de alegria abraçado ao Jesus que ele tanto amou.
Não tive muitos momentos na intimidade com ele, mas me recordo de dois: em um deles, dividimos o mesmo quarto de hotel num Seminário de Liderança Avançada do Haggai. Ele fez de tudo para que eu me sentisse bem. Ele fez de tudo para que eu parecesse um seu igual, não fosse ele um dos maiores docentes que o Haggai já teve, para dizer pouco. Ele se esforçou para parecer igual a mim, mas quanto mais se esforçava, mais eu via que eu era só um menino diante de um gigante... Nas conversas, o cotidiano pareceu mais Santo, o Reino, mais perto, e era tanto isso que no quarto para dois dormiram três: eu, ele e Jesus, tão presente ali como qualquer um de nós.
O segundo momento aconteceu na Igreja de Santa Bárbara d'Oeste, onde ele esteve como pregador convidado e como Inspirador Convidado, já que tivemos uma reunião particular dos presbíteros da igreja com ele. Ele ministrou como discipulava: manso, sereno, profundo e verdadeiro. Falou das suas fraquezas, não das suas virtudes. Inspirou-nos mostrando seus erros, não suas vitórias. Falou, não como o Pastor com "P" maiúsculo que era, mas como Paulo, gente comum, que vive cada dia sabendo-se pecador e agraciado ao mesmo tempo.
Ao pensar na sua partida, só o que me vem à mente é o texto bíblico: "Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si".
Não tive muitos momentos na intimidade com ele, mas me recordo de dois: em um deles, dividimos o mesmo quarto de hotel num Seminário de Liderança Avançada do Haggai. Ele fez de tudo para que eu me sentisse bem. Ele fez de tudo para que eu parecesse um seu igual, não fosse ele um dos maiores docentes que o Haggai já teve, para dizer pouco. Ele se esforçou para parecer igual a mim, mas quanto mais se esforçava, mais eu via que eu era só um menino diante de um gigante... Nas conversas, o cotidiano pareceu mais Santo, o Reino, mais perto, e era tanto isso que no quarto para dois dormiram três: eu, ele e Jesus, tão presente ali como qualquer um de nós.
O segundo momento aconteceu na Igreja de Santa Bárbara d'Oeste, onde ele esteve como pregador convidado e como Inspirador Convidado, já que tivemos uma reunião particular dos presbíteros da igreja com ele. Ele ministrou como discipulava: manso, sereno, profundo e verdadeiro. Falou das suas fraquezas, não das suas virtudes. Inspirou-nos mostrando seus erros, não suas vitórias. Falou, não como o Pastor com "P" maiúsculo que era, mas como Paulo, gente comum, que vive cada dia sabendo-se pecador e agraciado ao mesmo tempo.
Ao pensar na sua partida, só o que me vem à mente é o texto bíblico: "Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si".
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Saudade na boca de varios poetas
Chico: Que a saudade dói como um barco/Que aos poucos descreve um arco/E evita atracar no cais; Djavan: Enfim, de tudo o que há na Terra/Não há nada em lugar nenhum/Que vá crescer sem você chegar/Longe de ti tudo parou; Milton: O que importa é ouvir/A voz que vem do coração/Pois seja o que vier,/Venha o que vier/Qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar; Paul McCartney: You were only waiting for this moment to arise; e finalmente o Roberto: Janelas e portas vão se abrir/Pra ver você chegar/E ao se sentir em casa/Sorrindo vai chorar.
Tiago Ferro - Pai de Manu, que aos 8 anos morreu de gripe
Parte da minha geração, nascida nos anos 70 e criada por pais que já não escondiam dos filhos seus medos e dúvidas, que brigavam e até se separavam, foi poupada de qualquer educação religiosa. À mesa de jantar entrava o sexo e saía Deus. Não se trata exatamente de uma geração de ateus, pois ser ateu implica diversas responsabilidades e reflexões – é uma geração que simplesmente não precisou pensar no assunto. Praticar o bem e ter atitudes éticas seria natural para construir uma sociedade melhor para todos e, na hora H, cada um em âmbito privado resolveria do seu jeito o inevitável da vida. O problema é que, na hora H, meus mentores intelectuais me deixaram na mão. Você não compra um novo significado para a vida em três vezes no cartão e recebe em casa após cinco dias via Sedex. E pensar como eu amei os céticos e os materialistas. Algo havia dado errado nessa história toda.
Tiago Ferro - Pai de Manu, que aos 8 anos morreu de gripe.
Link completo: http://piaui.folha.uol.com.br/materia/ja-nao-era-mais-terca-feira-mas-tambem-nao-era-quarta/
Tiago Ferro - Pai de Manu, que aos 8 anos morreu de gripe.
Link completo: http://piaui.folha.uol.com.br/materia/ja-nao-era-mais-terca-feira-mas-tambem-nao-era-quarta/
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
"O valioso tempo dos maduros", de Mário de Andrade
"O valioso tempo dos maduros", de Mário de Andrade:
“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo
que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!"
Mário de Andrade
“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo
que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!"
Mário de Andrade
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Cachorro salvou a vida de 10 mil soldados franceses na 1ª Guerra Mundial
Apelidado de 'Satã', o pastor alemão foi crucial para transportar mensagens estratégicas e equipamentos durante a batalha de Verdun. Ao final, sua ação foi fundamental para salvar a vida de milhares de franceses, que estavam encurralados pelos alemães
sábado, 23 de julho de 2016
Desejos de outro mundo
“Se eu descobrir em mim mesmo
desejos os quais nada nesta terra podem
satisfazer, a única explicação lógica é que eu fui feito para um outro mundo”. C.S.LEWIS
quarta-feira, 13 de julho de 2016
Iniciativa
Se colocarmos os pés no mar, ele se abre. Mas se ficarmos olhando da margem, nunca sairemos do lugar.
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Andando e chorando
“Quem vai andando e chorando
enquanto semeia... voltará com júbilo... trazendo os seus feixes”.
As tragédias, nas mãos do nosso Senhor, se transformam em sementes
resistentes e frutíferas, quando regadas com lágrimas.
Charles Bukowsky
Charles Bukowsky
“The nights you fight best are
when all the weapons are pointed at you,
when all the voices hurl their insults
while the dream is being strangled.
The nights you fight best are
when reason gets kicked in the gut,
when the chariots of gloom encircle you.
The nights you fight best are
when the laughter of fools fills the air,
when the kiss of death is mistaken for love.
The nights you fight best are
when the game is fixed,
when the crowd screams for your blood.
The nights you fight best are
on a night like this
as you chase a thousand dark rats from your brain,
as you rise up against the impossible,
as you become a brother to the tender sister of joy
and move on
regardless.”
TRADUÇÃO
As noites nas quais você luta melhor são
aquelas em que todas as armas estão apontadas para você,
quando todas as vozes lançam seus insultos
enquanto os sonhos estão sendo asfixiados.
As noites nas quais você luta melhor são
aquelas em que a razão leva um chute no estômago,
quando as carruagens da escuridão circundam você.
As noites nas quais você luta melhor são
aquelas em que o riso dos tolos enche o ar,
e o beijo da morte se confunde com amor.
As noites nas quais você luta melhor são
aquelas em que o jogo se decide,
e a multidão clama por seu sangue.
As noites que você luta melhor são
noites como esta
nas quais você afugenta mil ratos negros em seu cérebro,
nas quais você se levanta contra o impossível,
nas quais você se torna um irmão para a doce irmã alegria
e segue em frente
mesmo assim
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Angústia
Angústia. Sensação de meio engolir, meio vomitar. Como se uma bigorna tivesse sido depositada sobre a sua respiração; coração bate frouxo, só pela metade. Animal sendo caçado, acuado, sem saída. Prestes a perder a vida. Vida que se vai... ou melhor, se esvai.
sábado, 30 de janeiro de 2016
Estou cansado - Ricardo Gondim
Estou cansado!
Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.
Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.
Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não agüento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.
Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.
Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.
Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.
Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas “caiam sob o poder de Deus” para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.
Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.
Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.
Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.
Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.
Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.
Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.
Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.
Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.
Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.
Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim é pastor da Assembléia de Deus Betesta no Brasil e mora em São Paulo. É autor de, entre outros, Orgulho de Ser Evangélico — por que continuar na igreja e Artesãos de Uma Nova História.
Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.
Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.
Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não agüento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.
Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.
Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.
Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.
Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas “caiam sob o poder de Deus” para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.
Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.
Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.
Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.
Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.
Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.
Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.
Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.
Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.
Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.
Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim é pastor da Assembléia de Deus Betesta no Brasil e mora em São Paulo. É autor de, entre outros, Orgulho de Ser Evangélico — por que continuar na igreja e Artesãos de Uma Nova História.
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