quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Despedida do Charlie

Charlie chegou de mansinho à nossa família. Foi escolhido mais pela suas qualidades práticas do que pela beleza intrínseca, e foi necessário algum esforço para a sua integração. Ao ser integrado, demonstrou muita força e resiliência - serviu com garra em qualquer horário em que foi requisitado, incluindo madrugadas, noites de chuva e por vezes dias de sol ardente. Sua força e resiliência não o impediram de ser afetado em sua saúde, já que por diversas vezes exigiu cuidados importantes para se manter em atividade. Mas todo o cuidado que requereu foi devolvido em serviço - transportou de tudo (cães, gatos, roupas, equipamentos e até alguns móveis), sem falar nas pessoas, as quais transportou para evento felizes (viagens para casa da família, passeios), tristes (funerais) e para trabalho (muitas vezes). Mesmo sendo alvo de alguns descuidos (que lhe causaram alguns ralados) ajudou, com sua disposição, a produzir riqueza, mais do que a consumiu. Contribuiu trazendo independência, praticidade e facilidades, e agora vai seguir, servindo a outros. Não terá descanso, férias ou aposentadoria, como é próprio daqueles cuja missão é servir. Deixará muitas lembranças e jamais será esquecido, como um cavaleiro negro que segue o caminho desaparecendo na penumbra do entardecer. Mas, mais do que lembranças e boas memórias, deixará um sentimento enorme de muita gratidão a Deus, que certamente o enviou para cumprir uma missão que não terminará aqui. Que possa encontrar outras famílias, abrigar crianças, pais, mães, vovós e até alguns animais, transportando-os para momentos de alegria, continuando a espalhar acolhimento e bem estar, até o dia em que finalmente for recolhido, em total desgaste, para o céu dos automóveis - sim, porque para tudo há céu, até para coisas imateriais e inanimadas como um simples veículo. E por que não haveria, se também estes moram em nossos corações eternos?

sábado, 5 de outubro de 2024

Se eu conversasse com Deus - Poema de Leandro Gomes de Barros

 Se eu conversasse com Deus

Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?

Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?

Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?

sábado, 28 de setembro de 2024

Question: Why do dogs live shorter than humans?

 Question: Why do dogs live shorter than humans?

Here is the answer:

As a veterinarian, I was called to examine a 13-year-old dog named Batuta. The family was hoping for a miracle.

I examined Batuta and found that he was dying of cancer and there was nothing I could do...

Batuta was surrounded by his family. The little boy Pedro looked so calm, petting the dog for the last time, and I wondered if he understood what was happening. Within minutes, Batuta peacefully fell into a sleep from which he would never wake up.

The little boy seemed to accept it without difficulty. I heard the mother ask, "Why are dogs' lives shorter than humans'?"

Pedro said, "I know why."

The little boy's explanation changed my outlook on life.

He said, "People come into the world to learn how to live a good life, like loving others all the time and being a good person, right?! Since dogs are born knowing how to do all this, they don't need to live as long as we do. Do you understand?"

The moral of the story:

If a dog were your teacher, you would learn things like:

When your loved ones come home, always run to greet them.

Never miss an opportunity to go for a walk.

Let the experience of fresh air and wind on your face be pure ecstasy!

Take naps, rest.

Stretch well before getting up.

Run, jump and play every day.

Avoid "biting" when a simple growl would suffice.

In very hot weather, drink plenty of water and lie down in the shade of a leafy tree.

When you are happy, dance by moving your whole body.

Enjoy the simple things, like a long walk.

Be faithful.

Never pretend to be something you are not. Be authentic!

If what you want is "buried", look for it, persist until you find it.

And never forget:

When someone is having a bad day, stay quiet, sit next to them and gently let them know that you are there.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Sobre a Morte - Carla Madeira em "Tudo é Rio"

 A morte põe um olho no passado e outro no futuro e deixa a gente cego na hora, no encontro do que foi e do que será, na tortura do que poderia ter sido. Impõe o desespero do definitivo, trava os movimentos. Embrulha o estômago indigesta. Faz frio nos ossos. A morte é vida intensa demais para quem fica." (from "Tudo é rio" by Carla Madeira)