quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Despedida do Charlie

Charlie chegou de mansinho à nossa família. Foi escolhido mais pela suas qualidades práticas do que pela beleza intrínseca, e foi necessário algum esforço para a sua integração. Ao ser integrado, demonstrou muita força e resiliência - serviu com garra em qualquer horário em que foi requisitado, incluindo madrugadas, noites de chuva e por vezes dias de sol ardente. Sua força e resiliência não o impediram de ser afetado em sua saúde, já que por diversas vezes exigiu cuidados importantes para se manter em atividade. Mas todo o cuidado que requereu foi devolvido em serviço - transportou de tudo (cães, gatos, roupas, equipamentos e até alguns móveis), sem falar nas pessoas, as quais transportou para evento felizes (viagens para casa da família, passeios), tristes (funerais) e para trabalho (muitas vezes). Mesmo sendo alvo de alguns descuidos (que lhe causaram alguns ralados) ajudou, com sua disposição, a produzir riqueza, mais do que a consumiu. Contribuiu trazendo independência, praticidade e facilidades, e agora vai seguir, servindo a outros. Não terá descanso, férias ou aposentadoria, como é próprio daqueles cuja missão é servir. Deixará muitas lembranças e jamais será esquecido, como um cavaleiro negro que segue o caminho desaparecendo na penumbra do entardecer. Mas, mais do que lembranças e boas memórias, deixará um sentimento enorme de muita gratidão a Deus, que certamente o enviou para cumprir uma missão que não terminará aqui. Que possa encontrar outras famílias, abrigar crianças, pais, mães, vovós e até alguns animais, transportando-os para momentos de alegria, continuando a espalhar acolhimento e bem estar, até o dia em que finalmente for recolhido, em total desgaste, para o céu dos automóveis - sim, porque para tudo há céu, até para coisas imateriais e inanimadas como um simples veículo. E por que não haveria, se também estes moram em nossos corações eternos?