Certa feita, numa pequena e
bucólica vila, um homem exercia seu trabalho diário, sem
nenhuma novidade. Sua única responsabilidade
era cuidar de um pontilhão onde o trem passava
toda tarde repleto de passageiros. Certo dia,
aquele homem, descuidadamente deixou seu posto de
trabalho e foi jogar baralho com os seus amigos.
De repente, esboçou-se na fímbria do
horizonte o prenúncio irreversível
de uma tempestade convulsiva e borrascosa
. As nuvens plúmbeas
enegreceram densas, cobrindo o céu azul. Os
relâmpagos serpenteantes riscavam os céus. Os
trovões ribombavam nas alturas, os ventos desaçaimados
sopravam com violência. Não tardou
para que descesse uma chuva torrencial. As
enxurradas
violentas rolaram montanha abaixo,
precipitando-se com fúria no vale, derrubando casas, pontes, arrastando tudo pela força das águas.
Minutos depois, aquele pontilhão, sovado
pelos açoites implacáveis das águas, foi arrebentado
e arrastado, deixando no local um grande abismo.
O homem responsável pela ponte,
envolvido na jogatina, não se apercebeu do
perigo e continuou no
jogo com seus comparsas.
De súbito, aconteceu uma tragédia,
uma catástrofe horrenda, sem que houvesse
qualquer aviso. O trem aponta na curva, célere,
lotado. Segundos depois, um barulho, um
estrondo, uma tragédia, gritos, gemidos, lágrimas,
sangue, morte. Centenas de pessoas morreram
esmagadas, uma multidão ferida. A vila ficou tomada
por um grito de dor, por soluços inconsoláveis dos
infelizes moribundos. Foi então, que o
descuidado jogador saiu
para a rua e ao ver a tragédia, sabendo que ele era o maior responsável, saiu gritando
como louco: “Ah! se eu tivesse ouvido! Ah!
se eu tivesse ouvido! Ah! se eu tivesse ouvido!
Agora é tarde. Tarde demais.”
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