terça-feira, 15 de agosto de 2017

Texto complexo extraído de "Quase Salvo" do Rev. Hernandes

Certa feita, numa pequena e bucólica vila, um homem exercia seu trabalho diário, sem nenhuma novidade. Sua única responsabilidade era cuidar de um pontilhão onde o trem passava toda tarde repleto de passageiros. Certo dia, aquele homem, descuidadamente deixou seu posto de trabalho e foi jogar baralho com os seus amigos. De repente, esboçou-se na fímbria do horizonte o prenúncio irreversível de uma tempestade convulsiva e borrascosa . As nuvens plúmbeas enegreceram densas, cobrindo o céu azul. Os relâmpagos serpenteantes riscavam os céus. Os trovões ribombavam nas alturas, os ventos desaçaimados sopravam com violência. Não tardou para que descesse uma chuva torrencial. As enxurradas violentas rolaram montanha abaixo, precipitando-se com fúria no vale, derrubando casas, pontes, arrastando tudo pela força das águas. Minutos depois, aquele pontilhão, sovado pelos açoites implacáveis das águas, foi arrebentado e arrastado, deixando no local um grande abismo.

O homem responsável pela ponte, envolvido na jogatina, não se apercebeu do perigo e continuou no jogo com seus comparsas.


De súbito, aconteceu uma tragédia, uma catástrofe horrenda, sem que houvesse qualquer aviso. O trem aponta na curva, célere, lotado. Segundos depois, um barulho, um estrondo, uma tragédia, gritos, gemidos, lágrimas, sangue, morte. Centenas de pessoas morreram esmagadas, uma multidão ferida. A vila ficou tomada por um grito de dor, por soluços inconsoláveis dos infelizes moribundos. Foi então, que o descuidado jogador saiu para a rua e ao ver a tragédia, sabendo que ele era o maior responsável, saiu gritando como louco: “Ah! se eu tivesse ouvido! Ah! se eu tivesse ouvido! Ah! se eu tivesse ouvido! Agora é tarde. Tarde demais.”

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